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Em Cena: B. Sousa

No #EmCena de hoje temos Beatriz Sousa, uma escritora formada em publicidade, que veio falar um pouco sobre o seu livro, A Menina que Libertou o Passaro, e contar um pouco sobre a sua história. Olha só:

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Conte um pouco sobre você, sobre seus hobbies, paixões e como tudo começou no mundo da escrita.

Eu nasci em Itapetininga-SP e tenho uma história meio doida de quando decidi ser escritora: desde os três anos, eu dizia que queria escrever livros, mesmo nem sabendo escrever ou ler. Eu adorava os livros que liam para mim e por isso passei a criar teatrinhos com meus amigos e primos, pois era uma forma de contar histórias sem precisar escrever. Quando enfim eu aprendi, nunca mais parei. Escrevi vários contos, ensaios e até curta metragem durante a minha infância e adolescência. O fato de eu gostar muito de ler contribuiu para que eu aflorasse esse meu lado artístico.

Eu também sempre gostei de cinema e cheguei até cogitar fazer uma faculdade voltada para essa área. Ironicamente, mesmo sendo publicitária, nunca fui muito social, por isso desde pequena me agarrei aos livros, acho que eles me davam o conforto que eu não encontrava nas outras pessoas.

A auto aceitação e o amor próprio vem com um processo. Dentro disso, conta um pouco de como surgiu a ideia de criar A Menina que Libertou o Pássaro, e como foi a evolução dele dentro desses 7 anos de criação.

Quando eu tinha quinze anos estava passando por um momento bem complicado, sempre li que o sentimento de melancolia inspirava escritores, mas comigo não foi assim, pelo contrário, tive um bloqueio e não conseguia criar. Foi quando a minha mãe me mostrou o conto de Rubem Alves: “A Menina e o Pássaro Encantado” que fala sobre a saudade e a importância de deixar quem amamos livres para voltar. Como eu sempre fui fascinada pelo existencialismo, me inspirei nessa história só que voltada para o lado do autodescobrimento e do amor próprio. O livro foi importante, pois foi ele que serviu de alicerce para eu escapar da depressão profunda, eu aprendi muito o escrevendo, mas ainda assim não é uma história sobre mim. É talvez sobre o sentimento de se achar, de se amar, de se aprofundar em si mesmo, um sentimento que não é exclusivamente meu, mas de todos que estão nessa jornada em busca de si mesmos.

Eu o escrevi durante sete anos, mas desde o começo já tinha definido a sua estrutura. Sempre o deixei guardado na gaveta com vergonha de mostra-lo, foi quando participei de uma oficina de roteiro para quadrinhos que criei coragem. O Roberto Munhoz, o professor do curso e roteirista da Turma da Mônica, elogiou a minha história e deu dicas que usei para amadurece-la. Alguns anos depois eu encontrei o Roberto no Facebook e voltei a mostrar o rumo que a minha história estava tomando. Meio que o considero o padrinho do meu livro, pois foi através desses pequenos incentivos que tive coragem de exibir minha história ao mundo. Tanto que ele escreveu o prefácio do meu livro rs.

 

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Como você concilia hoje e diferencia o seu lado redatora publicitária e escritora? Qual é o melhor dos dois mundos?

Já vi muitos publicitários dizendo que você não deve fazer redação publicitária por amor, que é comercial, apenas venda. Não concordo com isso. Vejo que a escrita literária é a emoção e a publicitária a razão. Uma realmente não tem nada a ver com a outra, mas de certa maneira se inspiram. No começo foi difícil me adaptar porque a redação publicitária precisa ser breve, clara e chamativa, além de que deve conversar com cada público em tom de voz diferente, enquanto a literária eu apenas escrevia para ser lida (independente por quem).

Acho que se fosse para comparar bem cruamente, o meu lado escritora me faz voar, enquanto a publicitária me deixa segura e me impede de desaparecer pelo céu como um balão rs.

Com relação a outros escritorxs, o que você anda lendo? Onde você se inspira?

O meu escritor favorito é o Franz Kafka. Eu também leio muito José Saramago, Virgínia Woolf, Fiódor Dostoiévski, Júlio Cortázar e Caio Fernando Abreu. Mas, se for para levar em conta quem de fato me inspirou, foi a J.K. Rowling. Desde muito nova me inspiro nela e Harry Potter transformou a minha vida.

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Sabemos que o mercado editorial no Brasil ainda é de difícil acesso para vários escritores. Como foi seu processo até conseguir uma Editora? Qual sua dica para escritores que estão buscando publicar seus livros?

Eu fechei o contrato com a Editora Pandorga na mesma época que várias livrarias declararam falência. Me chamaram de louca e consigo entender o porquê rs, mas tem uma frase que diz assim “se não agora, quando?”. Publicar meu livro sempre foi um sonho, por isso mesmo diante das dificuldades editoriais, não deixei de ir atrás dele.

Eu mandei o original para várias editoras, algumas negaram, muitas nem responderam e outras aceitaram. Fui aceita por quatro editoras antes da Pandorga, mas apenas nela eu senti segurança para publicar a minha história, pois é uma editora que mesmo publicando best sellers estrangeiros, tem foco em descobrir autores nacionais, na casa existe grandes nomes como Tatiana Amaral, Sue Hecker e Alessa Ablle.

O conselho que eu posso dar para escritores que desejam lançar seu primeiro livro é: registre sua obra na Biblioteca Nacional antes de enviar para as editoras, não tenha medo de ler, reler e mudar infinitas vezes e, por último, conhecer a editoras que existem no Brasil, são diversas que dão oportunidades a novos escritores e com certeza uma delas será a sua.

Quais são seus planos para próximos trabalhos?

“A Menina que Libertou o Pássaro” é o meu primeiro livro publicado, mas eu já tenho alguns outros contos prontos. Estou elaborando o meu segundo livro que seguirá numa linha bem diferente do infanto-juvenil que eu escrevi. Quanto aos outros projetos à parte do meu lado escritora, pretendo montar algumas ações sociais voltadas para a ecologia e bibliotecas sociais. Antes de ser publicitária fui professora de meio período numa das escolas mais humildes da minha cidade, eu sentia que precisava fazer alguma coisa, pois ali tem grandes artistas que não possuem oportunidades. Pretendo criar um projeto para incentivar a leitura entre esses jovens.

 

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