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Em cena: Cristiano Hackl

Nessa semana, Cristiano Hackl está #EmCena. Redator na Getz Comunicação em Curitiba-PR, Hackl tem experiência em BTL e é focado em storytelling/transmedia. Poeta por vocação, Cristiano se define como um profissional de gestão de conteúdo, extremamente interessado em projetos de relacionamento on e off-line.

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1- O que te fez seguir pra essa profissão? Conte sobre sua carreira até aqui.

Meus pais sempre me incentivaram a escrever. Desde cedo arriscava uns versinhos, mas levava horas pra contornar um desenho. Na adolescência pensei em ser dentista, arquiteto, biólogo, só que houve um momento em que, o que eu sabia sobre o mundo da propaganda, me fez pensar que eu poderia trabalhar com negócios, de um jeito mais criativo. Lá fui eu fazer publicidade. Explorei tudo o que o curso podia me proporcionar, queria construir um pensamento multidisciplinar e isso teve um impacto enorme na minha carreira. Me formei em Umuarama, interior do Paraná e, quando terminei o curso, fui pra Londrina, fazer uma especialização. Depois segui pra Curitiba, onde estou até hoje.

 

2 – Como é seu processo de criação? Conte de onde vem suas inspirações.

Na minha concepção, a inspiração não vem da própria área, de cases ou estratégias que já existem. É importante saber que deram certo, entender quais são as tendências, mas isso não pode definir o meu trabalho. A primeira coisa que imagino é a necessidade do consumidor, depois encaixo o problema do cliente e por último, faço conexões que vão determinar um conceito. Gosto de pensar qual tipo de música as pessoas estariam ouvindo ao ler o que escrevi, essa situação, esse ambiente. A inspiração pode vir de uma história que alguém me contou, de algo que foi escrito num blog especializado, adoro ler comentários de matérias, dizem muito, nem sempre são besteiras. Mas existe uma coisa no mundo real corporativo que ferra com tudo: o prazo. Então certas vezes, me pego fuçando num site de portfólios ou de notícias do ramo e aí, fecho os olhos e faço o que tenho que fazer.

 

3 – Alguns trabalhos despertam mais afinidade em seus criadores. Até agora, qual foi o trabalho que mais te marcou e por que?

Como minha especialidade é a redação para projetos below the line, o que mais me emociona é a integração de pontos de contato, a partir de um conceito ou enredo que ajudei a criar. Houve um projeto, que apesar de pequeno e local, revigorou uma rede de hamburguerias com mais de 30 anos em Curitiba. Cito esse case, porque foi um divisor de águas, no que eu fazia antes e depois desse job. Tive que entender de verdade o que era storytelling, como “parcelar” a história em diferentes meios (PDV, mkt digital, promocional etc.) e, até hoje, quando entro num projeto assim, lembro da hamburgueria Kharina.

 

4 – Na sua opinião, quais as principais características de um bom redator?

O que funciona pra mim pode não funcionar para outro profissional, fato. Mas admiro outros colegas que também tentam entender tudo ao redor da marca e do público, sem utilizar uma fórmula pronta pra tudo. Detesto formalidades, acho importante tentar ser menos careta na abordagem. Não precisa usar palavrão, não é isso. A questão é ser sincero, enxuto quando der e, se conseguir arrancar a emoção que você idealizou, aí meu amigo, parabéns.

 

5 – Hoje uma das principais referências em meio de comunicação é a internet. Você acha que isso resulta em alguma mudança na relação das marcas com as pessoas?

Não gosto de ver uma coisa independente da outra. Sei que a jornada de consumo mudou, porque antes de comprar, buscamos opiniões, as vezes desconhecidas e, influenciamos consumidores de nossas próprias redes, muitas vezes com um simples like. O efeito de um único grupo mal atendido, pode derrubar toda uma estratégia de negócios, em varejo ou serviços, que nada tem a ver com o anúncio que vemos na TV ou no banner de um site. A mudança, no meu trabalho, é que as abordagens são diferentes em cada meio e o diálogo não pode parar, tem que sempre evoluir.

 

6 – Tem uma mídia preferida na hora de criar? Qual sua opinião sobre os filmes publicitários brasileiros?

Se eu disser que sou o mais ligado em filmes publicitários, vou estar mentindo. As vezes, quando estou em casa, esquento alguma coisa e vou comer na frente da TV, sem pensar em nada. Nessas horas é que algum comercial me surpreende. Tem muita campanha nacional com esse poder de ruptura. São geralmente, aquelas que invertem a percepção que eu tenho sobre a marca, ou sobre o tipo de empresa que ela é. Não precisam necessariamente ser engraçados quando a instituição é séria, ou emocionais quando a marca é varejista, mas eles surpreendem quando a abordagem é tão estratégica que me faz pensar: porque é que estão fazendo isso? Entende? O HSBC, com o filme Experts ou a Lycra, com a série Moves You, são exemplos recentes que eu curto pra caramba.

 

7- Em sua opinião, como esta o mercado publicitário em sua região?

Curitiba é a capital do estado e deveria ser o olho do furacão. Sinto que existem profissionais tão bons que continuam vivendo aqui, gente que também veio de fora, de outros estados e, parece, que ninguém conhece de verdade tudo o que pode conquistar por aqui. Sei que estão pipocando start-ups de tecnologia e serviços, que o mercado de games é abundante e, que agências de marketing digital devem atingir um faturamento mais saudável do que as tradicionais agências de comunicação. Mas, no final, como eu já disse, não existe limite entre o que é on e off-line e um precisa do outro. Enquanto houverem essas divisões, os bons resultados ainda sofrerão algumas barreiras. É como uma atualização profissional: se as empresas não se especializam e continuam vivendo de um mesmo modelo de gestão, de trabalho, de pensamento, quando a página virar de verdade, é capaz de ficarem pra trás.

 

8- Você também trabalha em um projeto literário. Conte-nos um pouco sobre o projeto, como isso começou e qual a ligação desse projeto com a sua profissão?

O Outras Folhas é um blog sem pretensão alguma. Está meio parado, aliás, bem parado. Tenho vontade de publicar as poesias que escrevi por lá. Assim como num portfólio, ver a cronologia de cada criação, faz pensar no quanto melhorei, ou piorei, ou mudei ao longo do tempo. É um exercício de vasão. Há um tempo atrás, escrevia assiduamente para um blog de música de São Paulo, o Música Pavê, só que ultimamente tenho feito apenas participações pequenas. Falta um pouco de tempo, mas sempre fico com vontade de escrever algo novo. Pra falar a verdade, estou prestes a lançar um blog para falar sobre jeitos divertidos de trabalhar. Quando estiver pronto eu aviso.

 

9– Como é sua mesa de trabalho? O que não pode faltar nela?

Eu curto simetria, me dá uma sensação as coisas estão organizadas, mesmo quando não são. Tento manter ela limpa, passo álcool mesmo, detesto porquice sabe? Acabo sempre tendo uns objetos, muitas cadernetas e cadernos, nada muito alegórico. Preciso de um lápis e uma única caneta, mas acabo acumulando uma porção. Não grudo adesivo no computador e não gosto que a garrafa de água seja a mesma por muito tempo.

 

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10– Quais dicas você daria pra quem está iniciando a carreira?

Vou listar, beleza?
1. Não confie na sua própria revisão ortográfica, vai dar problema;
2. Acredite mais na sua ideia do que na que você viu no último anuário;
3. Escrever outros tipos de texto faz o cérebro ficar mais esperto;
4. Tire todas as suas dúvidas antes e depois de começar um job, assim você não escreve bobagem;
5. Abrace o seu dupla, seu atendimento e deixe que eles contribuam com você, sem medo: a gente não faz nada sozinho.

Gostou do bate-papo com o Cristiano? Entre em contato com ele através do Linkedin:

https://www.linkedin.com/in/cristianohackl

1 Comment

  1. 25 de novembro de 2014

    Tive a honra de poder trabalhar com Cristiano. Grande profissional!

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