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Em Cena: Juliana Bacci

Uma pessoa a qual a simplicidade encanta e o talento com as palavras surpreende, isso sem falar sobre a sua incrível coleção de pessoas. O #EmCena dessa semana é com a Juliana Bacci, Editora de Conteúdo do SBT. Venha conhecer um pouco sobre a sua história e suas dicas para quem está começando:

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Conte um pouco sobre você, sobre a sua formação, experiências profissionais, hobbies e por aí vai.

Eu comecei a trabalhar cedo porque precisava de dinheiro para comprar livros e ir ao cinema. Na adolescência, meu objetivo era assistir ao maior número possível de filmes que estivesse em cartaz. Como meus pais não podiam bancar este “luxo”, arrumei um emprego. Pela educação que recebi e por incentivo da escola tradicional na qual estudava, cresci dizendo que faria Direito. Na hora da inscrição no vestibular, prestei para Radio e TV. E assim mudei o rumo de minha vida.

Desde criança, sempre tive paixão por palavras e por pessoas.

Durante a faculdade, descobri que gostava de histórias reais e, de alguma forma, senti que deveria conta-las. Emendei uma faculdade de Jornalismo no currículo e alguns cursos de especialização.

Sempre tive curiosidade de conhecer áreas diferentes, fiz vários estágios, passei por várias empresas. Em todas, eu era a que chegava cedo e ia embora tarde, a que fazia o serviço dos outros, que cobria férias da galera, que trabalhava de fim de semana e feriado. Sempre encarei os “perrengues” como forma de experiência profissional e, principalmente, de vida.

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Você é formada em Jornalismo e fez especialização em Redação Criativa, mas como você chegou à área de Editora de Conteúdo?

Comecei trabalhando em rádio, aos 17 anos, colando adesivo nas peruinhas da Jovem Pan. Também fazia rádio escuta e atendimento ao ouvinte. Com persistência, comecei a fazer textos de merchan para locutores e passei para as áreas de programação e produção.

A experiência me abriu portas na TV. Fui estagiar na Record, no departamento de programação. Lá fui efetivada e participei do projeto de criação da Record News. Fiquei por três anos.

Já cursando Jornalismo, queria ter experiência em redação. Voltei para a Jovem Pan, que estava começando dando início ao seu site e páginas em redes sociais. Foi meu primeiro contato com internet.

De lá, fui chamada para um estágio na Editora Globo. Achei interessante porque a empresa adotava um sistema de rodízio e, em apenas um ano, eu trabalharia em três redações. Passei pela Globo Rural, Pequenas Empresas e Grandes Negócios e pela Criativa (que hoje é a Glamour). Produzia conteúdo para as revistas e seus respectivos sites. Aprendi muito e conheci muita gente. Viajei bastante e tive a oportunidade de montar um portfolio diverso.

Em 2012, entrei no SBT, já na área digital, e segui fazendo freela para a Globo.

No meio de tudo isso, fiz uma especialização em roteiro na Escuela Internacional de Cine y TV, em Cuba, e outra em Redação Criativa, na Universidade de Nova York. Muito mais do que a parte técnica, essas viagens contaram muito no sentido de conhecer pessoas de outras partes do mundo e trocar experiências profissionais.

Em 2014, finalizei uma pós-graduação em Mídia, Informação e Cultura na Universidade de São Paulo. Minha monografia abordou o tema “solidão compartilhada”, sobre como as pessoas estão cada vez mais conectadas e sozinhas – ao mesmo tempo.

Muitas pessoas ainda não entendem como é a rotina dos produtores de conteúdo e como funciona esse trabalho. Conte um pouco sobre o seu fluxo de trabalho e o seu dia a dia.

Nesses anos todos de trabalho, o que posso dizer é que tudo mudou muito e segue mudando em ritmo acelerado. Nós, produtores de conteúdo, vamos nos adaptando ao ritmo e às novas tecnologias. Hoje, qualquer pessoa pode produzir conteúdo, postar em redes sociais, abrir um canal no Youtube e, assim, conquistar a sua audiência. Cabe ao profissional separar o que é válido para o público do veículo para o qual trabalha e adaptar a linguagem para que a comunicação aconteça de forma mais efetiva, além de apurar cada notícia veiculada, procurar fontes e pontos de vista diferentes.

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Para produzir um bom conteúdo é preciso ter muito conteúdo. E na hora de produzir quais são as suas inspirações?

A inspiração está no próprio dia a dia, nas pessoas que convivem conosco, nas nossas dificuldades, nas conversas. O profissional atento e mais experiente está sempre enxergando pautas. Todo mundo tem uma boa história para contar.

Na minha função atual, o conteúdo produzido gira em torno da própria emissora. Ainda assim, é possível pensar e executar uma infinidade de pautas. Integro um equipe pequena que cuida de todos os sites e canais sociais digitais da emissora, desde o site ao aplicativo para celular.

Nós somos expostos diariamente a um volume gigantesco de conteúdo. Sendo assim, torna-se um desafio criar um conteúdo relevante e de qualidade. Qual o melhor caminho, na sua opinião para driblar essa dificuldade ?

O melhor caminho é conhecer o seu leitor, saber o que ele gosta, qual a sua linguagem, como se comporta e interagir com ele, fazer com que ele se sinta próximo, amigo, importante para o veículo que ele lê, assiste, segue ou curte.

Entre os seus trabalhos existe algum que você elege como favorito? Se sim, qual a sua história?

Para não ficar só nos projetos profissionais, falo de um projeto pessoal. Sempre que viajo, muito mais do que ver lugares e paisagens, quero ver pessoas. Há algum tempo fotografo pessoas e no ano passado criei uma conta no Instagram para “guardar” essas fotos. O projeto se chama “Minha Coleção de Pessoas” e o endereço é @colecaodepessoas

Qual qualidade é importante para um produtor de conteúdo?

Criatividade. A disputa por cliques está imensa. Todo mundo está falando sobre o assunto, mas de que forma podemos falar para que as pessoas escolham o nosso link? Fora isso, está muito difícil encontrar gente que escreva bem

O sonho de muitos estudantes de comunicação hoje, é trabalhar em empresas de grande visibilidade. Você já trabalhou em empresas como Editora Globo, Jovem Pan, Rede Record e hoje está no SBT. Qual o melhor caminho na sua opinião para chegar até essas empresas?

Procure os programas de estágio, comece do zero e esteja aberto a toda e qualquer tipo de experiência que possa contribuir com a sua formação profissional e pessoal.

Para terminar, qual a dica que você dá para quem está começando nessa área?

Pegue aquele serviço que ninguém quer fazer e faça da melhor forma possível. Tem sempre alguém olhando. Sempre tem.

 

 Entrevista realizada por: Karymy Gonçalves.

 

 

 

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