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Em Cena: Paulo Andre Bione

Pernambucano, formado pela ESPM, Paulo Andre Bione trabalhou em grandes agências como Ogilvy, W/Brasil, Talent e foi Diretor de Criação da QG Propaganda, do grupo Talent, da 141 Soho Sq, do grupo WPP. Como redator, fez campanhas para grandes clientes: Brastemp, Tigre, Unibanco, Walmart, O Boticário, Fininvest, Valisère, Estadão, Parmalat, Açúcar União. Entre seus bordões mais famosos está La Garantia Soy Yo, para Semp Toshiba. Além de redator publicitário, também já desenvolveu roteiros na Rede Globo. Entre os seus prêmios estão: anuário do Clube de Criação de São Paulo há 10 edições, Festival de Publicidade do Rio de Janeiro, prêmio O Globo, prêmio Revista da Criação do jornal Meio e Mensagem, Criatividade em Rádio, Salão da Propaganda, Colunistas, vários finalistas no Prêmio Abril e Festival de Cannes e vencedor do Prêmio Profissionais do Ano da Rede Globo, categoria Campanha Nacional. Como professor orientador recebeu vários prêmios internacionais como o prestigiado D&AD. Além disso, foi citado na Revista Creativity, ao lado de grandes criativos internacionais, como um dos responsáveis por tornar a Miami Ad School a escola mais premiada do mundo. Além de Diretor de Acadêmico, assumiu como Diretor um dos festivais mais importantes da America Latina.

Paulo

1 – Paulo, conta um pouco para nós sobre você. Como você conheceu a área publicitária e como foi o início de sua carreira?

Eu comecei como todo mundo: estagiando. Cheguei em São Paulo, vindo de Recife para estudar na ESPM, comecei a rodar minha pasta até que eu consegui o meu primeiro estágio na W/ com Washington Olivetto.

2 – Como é, na prática, seu fluxo de trabalho? Quais as maiores dificuldades enfrentadas no dia-a-dia?

Meu dia poderia ter 48 horas. Eu organizo meu tempo para dar conta de várias frentes. Dedico momentos para resolver questões da escola em São Paulo e no Rio, faço as reuniões nas agências, tenho reuniões sobre o Wave Festival, respondo emails e no final do dia dou aula.

3 – Como foi o caminho para chegar ao cargo de Diretor da escola de criação mais premiada do mundo? Qual o motivo de tanto sucesso?

Na verdade, eu sempre quis expandir minha área de atuação criativa. E quando eu soube que a Miami seria lançada no Brasil eu, na cara de pau, fui conversar com o Paulo Sergio Quartiermeister, Diretor Geral, e sai da reunião contratado. O motivo para o sucesso da Miami é sempre espelhar o mercado. Professores que são criativos das melhores agências. Parcerias com as melhores agências do mercado onde nossos alunos tem possibilidade de fazer estágios como parte do programa acadêmico. Hoje no Brasil temos 18 agências parceiras entre elas: W+K, Publicis, Y&R, FCB, Loducca, Borghi, LewLara, Sapient, LiveAD, VML, AGE, CLICK. Nosso programa de intercâmbio internacional onde temos 13 escolas ao redor do mundo e mais de 50 agências internacionais.

4 – Você possui alguma técnica ou hábitos que influenciam no momento da criação? Aonde você busca inspiração para seus trabalhos?

Você precisa ter disciplina e entender tecnicamente como desenvolver uma ideia. Não é nada mágico ou sobrenatural. Criar exige mais transpiração do que inspiração. As inspirações vêm da vida. Publicidade percebe a vida e devolve para o consumidor em forma de ideia criativa. Mas só olhar a vida ao redor não faz de você um bom criativo. É preciso desenvolver esse olhar, saber olhar com critério. Eu sou muito inquieto: estudo propaganda, estudo assunto fora da propaganda, tenho uma visão ácida do mundo e treino o tempo todo o meu humor, melhor o meu mau humor.

5 – Na sua visão, qual o futuro do mercado publicitário no Brasil frente a constante evolução da tecnologia e as mudanças de hábito de consumo?

Acho que ainda estamos num mercado em desenvolvimento. Acho um mercado muito preso à compra de mídia. Acho um mercado onde o anunciante ainda é muito conservador. Por isso tudo, o Brasil é um mercado com um futuro promissor para novas possibilidades. Tem muita coisa a ser explorada. Novos formatos de ideias, novos formatos de agências, novos formatos de remuneração. Tem um movimento acontecendo no mundo e o Brasil não vai ficar de fora.

6 – Como professor, quais são as principais preocupações diárias dos seus alunos em relação ao mercado?

A America Latina em geral tem uma cultura do emprego rápido a qualquer custo. Eu vejo muitos estudantes que tem como meta estagiar, quer dizer, ter um emprego. Quando vejo nossos alunos da Miami de outras unidades como os Estados Unidos e Europa, vejo alunos preocupados em formação e carreira. Aqui temos a cultura do imediatismo. E eu tento ensinar que estagio não é meta, carreira sim.

7 – Qual é a importância de profissionais e estudantes da área publicitária terem um portfólio? E qual o maior erro cometido por estes na hora de montar suas pastas de trabalho?

Portfólio é o currículo de um criativo. Não tem como chegar numa entrevista de emprego sem um portfólio. Que é um conjunto das suas melhores ideias. Então, portfólio não é exatamente importante: é básico. O maior erro de uma pasta? São muitos.
Erro 1: pasta longa.

Erro 2: pasta ingênua ( colocar ideias ruins na pasta achando que são boas)

Erro 3: pasta com layouts mal executados Erro 4: pasta monótona ( só com anúncios).

8 – Na era das mídias sociais, mobiles e outras tecnologias, como fica a redação criativa? O que muda na hora de criar uma campanha online?

Não muda. Não importa se você é online ou offline. Ate porque não existe mais essa divisão tão rígida. Tecnologias não servem para nada se você não sabe ter uma boa ideia, não sabe criar um bom conceito. As telas mudam mas o princípio criativo não.

9 – Quais trabalhos você destacaria em sua carreira?

Eu não tenho nostalgia. Então não gosto de ficar retomando passado. Meus melhores trabalhos são os últimos. E para mim hoje meus gols são minhas atividades como Diretor e professor da Miami e como Diretor do Wave. Só em 2014 emplacamos um trabalho de um estudante na Archive, ganhamos 2 bronzes no Andy Awards, 1 bronze no New York Festival, fomos a Escola do Ano no Wave Festival 2014 e fomos a Escola do ano no FIAP 2014. Lançamos um curso de Liderança Criativa com turmas lotadas.

10 – O que você recomenda para aqueles que querem iniciar seus estudos na área de publicidade e propaganda?

Escolham bem a escola que você vai estudar, escolham um mentor criativo capaz de guiar você bem. Trabalhe sua pasta sempre. Trabalhe muito. Estude muito. E lute rapidamente para entender como esse negócio funciona e quem são as pessoas e agências que realmente importam.

11 – Paulo, agradecemos o seu tempo com a entrevista e parabenizamos pela sua carreira de sucesso. Deixe um recado para aqueles que seguem seu trabalho!

Obrigado pela oportunidade. E espero ver vocês num dos cursos da Miami Ad School/ESPM.

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