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Em Cena: Rafaela Chor

Poesia de dentro para fora, Rafaela Chor é poeta, atriz e artista plástica. Autora e ilustradora do livro A Poesia Carnal da Mulher, que traz tanta força e inspiração para mulheres verem seu corpo de outra fora e empoderá-los.

Conheça mais sobre a sua história e seu trabalho:

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Quem é Rafaela Chor?

Artista de berço, hoje, aos 24 anos,  se vê atuando em vários ramos da arte, como a literatura, artes plásticas, teatro e música. Fascinada pelo universo feminino. Virginiana.

A escrita esteve presente na sua vida desde cedo, mas qual foi o momento em que você decidiu assumir como trabalho e qual foi esse processo de profissionalização?

Eu ainda estou me acostumando com o fato de ser chamada de escritora por algumas pessoas, pois tudo ainda é muito recente. Publiquei o meu primeiro trabalho “A Poesia Carnal da Mulher” em setembro de 2018 e antes disso a escrita para mim era apenas um hobby como qualquer outro que um dia criei coragem e tomei a decisão de compartilhar com o público. Jamais imaginei que teria essa repercussão toda. Até agora foram quase 500 exemplares vendido de maneira independente e isso ainda é muito chocante para mim. Procuro agora ler mais para estudar referências, incentivar mais ainda o mercado literário independente consumindo obras principalmente de mulheres. Tenho vontade de fazer cursos voltados para a escrita criativa para aprimorar meu trabalho. 

Eu acredito que se desconstruir para se construir é um processo que toda mulher passa dentro desse padrão que somos criadas. O seu livro ajuda justamente nesse processo de reconstrução como foi pra você o processo de criá-lo?

Ao entrar na faculdade de Artes Cênicas me deparei com mulheres inspiradoras que não deixavam de ser quem eram para seguir padrões de beleza e comportamento estabelecidos pela sociedade. Eram mulheres com seios livres, ventres livres, opiniões livres, cabelos e pelos livres. Aprendi ali que eu tinha escolhas e que cabia somente a  mim decidir o que era melhor para meu corpo, meu espírito. Foi lá que eu desconstruí toda visão machista que eu tinha sobre o universo feminino e comecei o processo de reabilitação e aprendizado. Acho que o mais difícil é você admitir que está errado e se reeducar. A partir de toda essa experiência e eu fui construindo o livro. Eu costumo dizer que virei uma esponjinha, pois tentava absorver tudo que podia para estruturar meu trabalho e meu pensamento crítico.

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Muitas pessoas deixam de publicar seus livros e projetos  porque acreditam que o cenário independente não tem força ou não existe, como tem sido pra você essa experiência de divulgação e venda dos seus trabalhos?

O mercado é difícil para todas as áreas mas acredito que trabalhar como artista independente seja uma tarefa mais difícil ainda, porém não é impossível. Temos que lidar com a incerteza e com a falta de verba ou investimento diariamente, o que é bem complicado quando almejamos estabilidade financeira. O cenário cultural em Sorocaba é muito diferente do de São Paulo, onde morei nos últimos 5 anos. Ainda estou me adentrando, mas posso perceber desde já que é um movimento crescente e que tem muito potencial para chegar num lugar de maior visibilidade e valorização. O que tem me ajudado a seguir em frente é acreditar muito no meu trabalho, saber que há uma causa maior e que o que eu escrevo pode ajudar alguém. Pra mim, esse é o maior incentivo de todos.

 Com relação a outros escritorxs, o que você anda lendo? Onde você se inspira?

Recentemente li “A Teus Pés” Ana Cristina César, “Outros Jeitos de Usar a Boca” Rupi Kaur,  ”Mulheres Que Correm Com os Lobos” Clarissa Pinkola Estés, e um livro brilhante da Miranda Gray chamado “Lua Vermelha” que me ajudou muito a desconstruir toda visão equivocada que eu tinha sobre menstruação.

Me inspiro vendo mulheres fortes mostrando suas vozes, seja na música, na literatura, cinema, teatro ou até mesmo na política.

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Quais são os seus planos para os próximos trabalhos?

Atualmente estou em processo escrita de dois livros e penso também em um terceiro para o público infantil. Trabalho também vendendo colagens e ilustrações com a temática feminista e LGBTQ+ além da venda do meu livro já publicado. 

Se você pudesse dar um conselho para todxs os artistas, qual seria?

Acho que o melhor conselho que eu poderia dar é para confiar na própria intuição, não se deixar levar pelas críticas negativas, pois elas certamente virão, cabe a nós selecionar as que são construtivas ou não. Busque o desconforto, pois só a partir dele conseguimos evoluir. A arte não tem que ser confortável.

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