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Em Cena: Tomás Vinhal

Na estreia do #EmCena de 2015, uma pessoa que podemos dizer que… Tem estrela! Tomás Vinhal é publicitário e está no mercado desde 2005. Já trabalhou em grandes agências e hoje é o Content Marketing Manager do Twitter. Confira:

tom vinhal

1- Tom, você atuou em grandes agências e agora trabalha no Planejamento de Marketing e Comunicação do Twitter. Conte como foi sua trajetória até aqui.

Eu mudei de Catanduva (interior de São Paulo) para São Paulo em 2004 para fazer ESPM. Sempre quis fazer Publicidade, sempre me encantei pelo universo da propaganda mesmo sem entender o que era aquilo direito. Ainda na faculdade trabalhei na ESPM Jr. com consultoria de marketing e participei do L’oréal Brandstorm em 2007, uma competição internacional de planejamento de markerting e comunicação. Nosso time venceu a etapa nacional e competiu pelo título internacional na França e não levamos. Apesar disso me encantei por planejamento e nessa época estagiava no marketing da Intel do Brasil. Passei a procurar emprego na área e caí na Borghi/Lowe primeiro cuidando de imobiliário, depois de outros grandes anunciantes de diversas categorias (UOL, Perdigão, Etna, Vivara, Unilever, BIC, Caixa e outros). De lá fui para a WMcCann onde comecei cuidando de Mastercard, depois de Sorriso (Colgate), Estadão e por fim Nestlé. Atualmente estou no Twitter, onde sou Gerente de Marketing e Conteúdo.

2 – Em sua opinião, qual o papel das redes sociais, na realidade da publicidade brasileira?

Não tem volta. As redes sociais são algo maior do que elas mesmas hoje em dia. Você pode fazer tudo dentro de plataformas como o Twitter, o Facebook ou o Tumblr hoje. Elas estão “embedadas” (para usar o jargão da indústria) na nossa vida quando ligamos o celular, a TV (seja pela SmartTV ou mesmo quando ocorre, por exemplo, uma votação por hashtag no Twitter para decidir algo em um programa de TV), seu computador, seu videogamel, seu tablet e (num futuro bem próximo) em nossos relógios, geladeiras, espelhos, carros e afins. Qual o papel disso na publicidade? Mais do que o papel, a pergunta que faço é “qual o valor” disso na vida de alguém. Daí você começa a entender o peso que a publicidade nesses meios terá no futuro. A TV no futuro será muito mais legal do que a TV de hoje que já é muito mais legal que a TV de 20 anos atrás. E daqui 20 anos ela vai ser ainda mais legal, vai te conhecer, ser sua amiga e tudo isso será culpa da internet e das redes sociais.

3 – Como você imagina que será a relação das marcas com as pessoas em um futuro próximo?

Se você analisar a evolução da relação entre marcas e pessoas desde a Revolução Industrial (vamos viajar um pouco aqui), no começo, essa relação era completamente impessoal e hierarquizada, onde as indústrias recrutavam um exército de funcionários, produziam o mesmo produto sem grandes melhoras durante anos, monopolizavam um mercado e empurravam seus produtos para o mercado, que consumia tudo, afinal não existia competição. A marca meramente era um indicativo de origem (quem fabricou e onde foi fabricado). Com a concorrência crescendo, a relação entre as marcas e as pessoas passou a ser valorizada e ao longo dos anos surgiram ferramentas como o marketing e a propaganda que facilitavam a comunicação das marcas com as pessoas. No entanto, essa comunicação sempre foi unilateral (das marcas para as pessoas) e todo mundo sabe que assim não existe relacionamento e sim um monólogo. Hoje a competição nunca esteve tão acirrada e por isso a necessidade de relacionamento com os consumidores nunca foi tão grande. Relacionamento é uma via de troca, você fala aquilo que sente, você mostra suas qualidades, assume seus defeitos, mas também ouve tudo isso do outro e reage à isso. As marcas estão aprendendo a ouvir “em massa” pela primeira vez na história e isso não só muda a relação das marcas com as pessoas, mas mais importante, isso muda a relação das pessoas com as marcas. E assim que vejo hoje: primeiro as pessoas, depois as marcas. Minha experiência diz que marca que se coloca antes das pessoas acaba falando sozinha. Não sei se é uma verdade universal, mas é o que vi por aí! :-)

4 – Podemos dizer literalmente, que você é uma pessoa que tem estrela.  Como foi receber o prêmio “Truth Central Navigation Star”?

Essa estrela é uma história muito legal do meu tempo de WMcCann. Ganhei essa estrela como um reconhecimento internacional da McCann Worldgroup, dona da WMcCann. Eles “compraram” uma estrela no céu, me deram o certificado, nomearam ela como Tomás Vinhal Truth Central Navigation Star, como reconhecimento pelo trabalho efetuado  no Truth Central, a área mundial de pesquisa e insights de consumo da WMcCann. Fui muito feliz na WMcCann onde deixei amigos e aprendi muito, afinal tanto a W/Brasil quanto a McCann Erickson são duas “escolas”, tradicionais, ter a oportunidade de trabalhar na WMcCann que é a fusão das duas é um aprendizado que eu me orgulho de ter vivido.

5 – Em sua carreira até hoje, teve algum trabalho que te marcou? Qual?

Olha, muitos trabalhos me marcaram e me deixaram muito orgulhoso. Orgulhoso do time, porque propaganda é time acima de tudo, não existe campanha feita por uma pessoa só e geralmente aqueles que levam os louros são os que menos se envolveram no trabalho. Já participei de projetos incríveis, mas sem dúvida sinto muito orgulho do que faço hoje e da proposta do Twitter para o mundo. Isso aqui é um negócio fantástico, onde as pessoas tem preocupação diária por duas coisas: excelência em tudo e qualidade em tudo (inclusive na vida). Então é muito satisfatório trabalhar aqui e ao passar Copa do Mundo, Eleições e agora festas de final do ano, momentos importantes para uma rede de interesses como o Twitter, vemos como os brasileiros usam a plataforma e todo o potencial que existe neste país com essa ferramenta na mão. Isso sim dá muito orgulho.

6 – No seu perfil no Linkedin você deixa claro que ama trabalhar com pessoas. Cada vez mais é evidente que o público quer se relacionar com outras pessoas e não com marcas. Como você imagina que será essa relação, marcas e pessoas no futuro?

Essa é uma pergunta interessante porque existem alguns paradoxos nela. Veja bem que público é feito de pessoas e marcas também são feitas de e por pessoas. O dia que marcas perceberem que, antes de produtos, existem pessoas por trás delas, a comunicação e a relação com o público, que também é composto de pessoas, se tornará mais humana. E toda relação humana é muito mais consolidada. Eu vejo um futuro onde nossa relação com o consumo vai ser mais qualitativo. Não vamos consumir mais, vamos consumir melhor! Justamente porque conheceremos as marcas com as quais nos relacionamos com mais intimidade e as escolheremos da mesma forma como escolhemos nossos amigos. E elas saberão que foram escolhidas e quererão atender nossas expectativas e genuinamente cultivar nossa amizade. Imagina que legal?!

7 – No seu dia a dia, como é sua mesa de trabalho?

Olha, gosto do mínimo possível em cima da mesa. Durante o expediente ela está assim como na foto. Quando vou embora ela fica ainda mais vazia.

mesa tom

8- Como faz para adicionar um pouco de qualidade de vida na sua rotina?

Isso não é só uma preocupação minha, mas do Twitter também, então ajuda muito estabelecer uma rotina saudável. Aqui temos alimentos saudáveis, especialmente frutas, castanhas, leite e sucos naturais, iogurtes tudo isso disponível para os funcionários e nossos clientes. Além disso o Twitter tem programas de incentivo para uma vida saudável e estimulado por isso pratico natação três vezes por semana no horário do almoço, inclusive com o pessoal do escritório. Hoje mesmo tivemos programa de mensuração de níveis de glicose e diabetes aqui no escritório e café da manhã saudável. Aos finais de semana agarrei a oportunidade das ciclofaixas novas de São Paulo e ando de bicicleta. Esporte é maravilhoso. Mas mais vital do que isso é a alimentação equilibrada, uma busca constante minha (cheia de obstáculos, mas estou chegando lá).

9 – Você é de Catanduva, interior de São Paulo. Quais dicas você daria para quem está iniciando carreira e pretende trabalhar na capital?

Saia da sua cidade. Saia do seu país se possível. É muito importante, no mundo globalizado que vivemos, conhecer fisicamente os outros lugares do mundo, não apenas pela TV, pelas séries ou pelas redes sociais, é o que vai te dar ainda mais condições de superar adversidades que o trabalho trará. Leia muito, qualquer coisa! Não precisa ler clássico se você não suporta clássicos. Identifique aquilo que gosta e leia. Propaganda é aprendizado e repertório, você não precisa fazer faculdade para ser um grande publicitário, mas precisa de muito repertório. E deixe a arrogância de lado. Graças a Deus a grande maioria dos publicitários hoje sabe que aquela visão antiquada de publicitário glamoroso não existe mais. Parece que era mais legal, mas aquilo atrapalhava demais o dia-a-dia do trabalho. Os poucos publicitários que ainda agem assim são tratados como ultrapassados pelo mercado, que pede hoje profissionais colaborativos, com repertório e acima de tudo que se relacionem bem. Ninguém aguenta trabalhar com uma pessoa chata e arrogante. As dicas são as mesmas se você é catanduvense, paulistano, japonês, nova-iorquino. Repertório, repertório, repertório e educação… Aquela que a gente recebe em casa mesmo.

Gostou do bate papo com o Tomás Vinhal? Entre em contato com ele pelo Twitter: @tbvinhal

2 Comments

  1. Rita Boso
    7 de janeiro de 2015

    Amei! Bela entrevista. Parabéns!

    • admin
      2 de fevereiro de 2016

      Que bom Rita, muito obrigada.

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