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Em Cena: Walter Mattos

Especialista em identidade de marca e o “Mister M” das analises gráficas. O #EmCena dessa semana é com o Walter Mattos, conheça um pouco sobre a sua história e confira suas dicas:

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Conte um pouco sobre a sua história, como você se descobriu no design, formação e experiências profissionais.

Foi realmente uma descoberta. Entrei na faculdade de design por pura afinidade e facilidade com desenho, mas não fazia ideia do que era design de fato. Estamos falando de 2001, tempo em que o termo “design” não era tão difundido como hoje. Praticamente e, de maneira bem resumida, entrei na faculdade pois minha mãe havia lido a palavra “desenho” na descrição do curso em um jornal qualquer. Mas dei sorte, pois foi “amor à primeira aula”.

Me formei em Desenho Industrial/Programação Visual na Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.

 Antes de começar a atuar como autônomo saltei rapidamente entre algumas agências e, um belo dia, me vi dando aulas particulares de softwares como Photoshop e Illustrator – inclusive dentro das agências onde trabalhei. Fui pegando gosto pela coisa e tive outras experiências bacanas. Também dei aula de Photoshop básico para a equipe de marketing de uma empresa e fui professor de um curso de informática, também ensinando Photoshop e Illustrator.

 Em paralelo a isso larguei meu emprego formal e comecei a trabalhar como designer freelancer. Já dividi sala comercial com ex-professor de faculdade, tive equipe de parceiros e sócios trabalhando comigo, enfim. Já dei muita cabeçada – e continuo dando!

 Hoje atuo por minha conta como designer de marcas e faço parcerias esporádicas quando há necessidade. Além disso, desde 2014 levo conteúdo para outros designers através do meu blog e canal no Youtube.

Entre seus trabalhos, existe algum que mais te marcou? Se sim, qual a sua história?

 Meu projeto de conclusão de faculdade. Era um livro de português para crianças surdas, feito em parceria com o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos).

 A motivação foi minha mãe, que é surda. Desde antes da faculdade tinha essa vontade de me envolver com questões sociais. Inclusive, cheguei a desenvolver a legenda de um filme nacional e distribuí gratuitamente na internet, em uma época onde não existiam legendas de filmes nacionais. Fato este que me rendeu um convite para trabalhar como legendista em Vitória, mas apesar da vontade de aceitar neguei por conta da faculdade.

 O livro felizmente se tornou um projeto real e foi distribuído para várias instituições espalhadas pelo Brasil.

 Hoje essa vontade de me envolver em questões sociais continua, por isso todos os vídeos do meu canal são legendados.

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Confesso que, quando assisto seus vídeos sobre análises gráficas, minha “cabeça explode“.  Fundamentação no design é uma coisa importantíssima e que muitas vezes é deixada de lado, como achar o equilíbrio entre o fundamento e a beleza de uma peça e ainda defender isso de acordo com o produto do cliente?

 Existe uma frase do Richard Buckminster Fuller que sempre cito nas minhas palestras: “Quando trabalho em um problema nunca penso na beleza, mas sim em como resolver o problema. Porém, quando eu termino, se a solução não for bonita é porque está errada”.

 Eu nunca soube explicar muito bem minha filosofia de trabalho até encontrar esta frase. O fato é que enquanto estou trabalhando realmente não penso na estética, pelo menos não de maneira consciente. Essa é uma preocupação que vem apenas no momento em que estou testando a solução que encontrei – no meu caso, aplicando a marca em diferentes suportes para enxergar o universo que estou construindo para ela.

 Antes disso estou pensando em como traduzir o problema do cliente em uma solução visual. E isso envolve vários gatilhos e etapas, como percepção, análise, semiótica, enfim. Envolve método.

 Cada projeto é único, então no final o que importa é o cliente acreditar que aquilo que estou apresentando é a solução ideal para o seu problema. Por isso não tenho como separar fundamentação, estética e argumento. Tudo faz parte do mesmo bolo.

Na hora de criar, quais são os maiores fatores que você leva em consideração? Quais são suas principais inspirações?

A única coisa que levo em consideração é o problema do cliente. Antes de embarcar em um projeto sempre me faço as seguintes perguntas:

- A solução para este problema é de fato um design/redesign de marca?

- Sou capaz de resolver este problema?

Se a resposta para qualquer uma das perguntas for “não” eu tenho que escolher a melhor forma de proceder. Muitas vezes a solução acaba sendo indicar o cliente para o tipo de profissional que irá ajudá-lo.

Fugindo um pouco do design, mas nem tanto. Pra você, quais são os maiores benefícios de se produzir conteúdo online?

 Quando criei o blog, o fiz porque queria ter um espaço onde eu pudesse registrar e compartilhar tudo aquilo que me inspira e me faz crescer como profissional. Sentia que havia uma carência universal a conteúdos relacionados ao cerne do design, a coisas que normalmente só vemos na faculdade ou em livros.

 De certa forma também sabia que isso seria benéfico em outro ponto, no aumento da credibilidade sobre aquilo que eu faço. Nunca penso em me posicionar como autoridade, não é essa minha intenção.

 Mas tenho certeza que qualquer pessoa que oferece este tipo de conteúdo está ajudando a melhorar a percepção geral sobre o que é design e o que o designer faz. O benefício é de todos. Muitos clientes chegam até a mim através de um artigo ou um vídeo, por exemplo. Quando isso acontece sei que ele enxerga valor no meu trabalho pois, caso contrário, não teria feito o contato.

 E é claro que não posso deixar de mencionar o quanto aprendo com isso. Muitas vezes preciso refrescar a memória ou mesmo aprender algo novo. Os livros são ferramentas constantes na minha mesa. Se eu tivesse que escolher um único benefício seria o aprendizado constante.

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 Você transmite seu conhecimento de uma forma muito clara e verdadeira. Quais foram suas motivações para criar o seu canal e o blog?

 Minha principal motivação foi a vontade de gritar para o mundo o quanto gosto do que faço.

 Essa foi uma vontade que hibernou durante muitos anos. Desde o momento em que a ideia surgiu até o lançamento do blog foram pelo menos 4 anos.

 A ideia ganhou força no momento em que percebia que meu trabalho como designer era bem aceito por outros designers, no Behance – uma plataforma de portfólios online. Vi que a galera gostava de entender meus processos e sempre tinha uma ou outra pergunta que merecia uma resposta mais elaborada.

 Foi então que criei coragem e lancei o blog.

Já tem alguma palestra em vista ou algum curso do qual vá participar? Pretende criar algo em breve?

 No mesmo ano em que lancei o blog, 2014, tive a sorte e felicidade de começar a ser chamado para palestras e eventos. De lá para cá os convites nunca pararam de chegar.

 Semana passada estive em Goiânia, na Setup Conference. Este foi, até então, o maior evento do qual participei. Foram vários profissionais de diversas categorias criativas, incluindo alguns nomes de peso nacional e internacional.

 Confesso que ainda não me acostumei com essa “popularidade” que a internet proporciona. Não tenho a mínima pretensão de ganhar fama, mas é sempre muito bom saber que pessoas enxergam valor no seu trabalho.

 Me surpreendo e fico extremamente feliz com todos os tipos de convite, mesmo aqueles que não posso aceitar. É sempre uma enorme honra e, em muitos casos, emocionante. Para mim é inacreditável abrir um e-mail e ler algo como “os alunos exigem sua presença!”.

 Ainda não tenho reservas para o futuro, mas estou sempre aberto aos convites.

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O Design em si, tem várias vertentes. E acredito que escolher entre elas é uma das tarefas mais difíceis para quem está estudando essa área. Qual a melhor forma de escolher qual caminho seguir? Como saber com qual deles você se identifica mais?

 Sinceramente? Não tenho uma resposta.

 Não sei dizer se escolhi me tornar um designer de marcas. Gosto de tudo, de todas as áreas do design, e exerci muitas durante muito tempo. Aliás, atuaria em todas se fosse possível. O blog é uma forma de explorar todos os campos com os quais tenho afinidade

 Porém, em um determinado momento percebi/entendi que deveria focar em marcas. Não foi de uma hora para a outra, mas um processo que durou anos. Houveram muitas influências, inclusive uma já mencionada acima, a reação dos designers ao verem meus projetos no Behance. Marca sempre foi um destaque.

 Enfim, assim como em quase todas as etapas da minha carreira, nada foi calculado. As mudanças foram naturais. Eu simplesmente corria atrás daquilo que gostava naquele momento.

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 Qual a sua dica para quem está começando e quer trabalhar com design de construção de marca?

O conselho é o mesmo que eu daria para qualquer profissional. Estude e pratique.

Sei que muitos podem interpretar esse conselho como algo genérico, mas o problema está justamente na interpretação. Quando digo “estude” quero dizer “estude mesmo!”. Quando digo “pratique” quero dizer “pratique mesmo!”. Sem exageros, claro, mas sem economia. É preciso encontrar o meio termo.

 Alguns designers focam em apenas um lado dessa moeda. Outros acham que estudar muito significa acompanhar todos os blogs ou ter um acervo de referências visuais.

 Se você quer ser designer de marcas, não leia um ou dois livros de design de marcas. Leia vários, leia muitos livros de “design de tudo” e não pare por aí. Leia sobre qualquer coisa que contribua para sua formação profissional e pessoal. Vá de design a filosofia, de Porta dos Fundos a Manual do Mundo.

E claro, dê tempo para que essa enxurrada de conteúdo possa ser absorvida. Pratique o que aprendeu, pratique esportes, passe tempo com a família, coma bem, faça o bem. 

Seu “eu profissional” é o mesmo que seu “eu pessoal”. Cuidando de um, você está cuidando do outro.

Onde encontrar o Walter?

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